Salto de Paraquedas em Boituva

O Salto de pára-quedas foi realizado em 28 de agosto de 2005 na cidade de Boituva, onde fica o Centro Nacional de Pára-quedismo, localizado na Rodovia Castelo Branco, Km117. O salto duplo foi conduzido por um profissional capacitado, e foram desenvolvidas técnicas para realizar a atividade com uma pessoa com deficiência, sem deixar margens para a ocorrência de qualquer tipo de problema. No meu caso, como tenho paraplegia e não possuo os movimentos das pernas, usaram uma corda para amarrar minhas pernas de modo com que elas ficassem dobradas. Este procedimento é tomado porque quando o pára-quedas é aberto, um forte efeito chicote leva seu corpo para cima, que supostamente poderia causar algum problema nas pernas, então é colocado este procedimento como prevenção.

Depois de vestido uma roupa apropriada semelhante a um macacão, segue-se para o avião, ai então a emoção começa a aumentar. Coloca-se a viseira para proteger os olhos, e quando o avião atinge a altura de 3,7 kilômetros, é hora de se encaminhar à porta do avião, o momento de maior emoção onde o coração está batendo mais rápido e forte do que uma bateria de escola de samba. Uma terceira pessoa acompanha o salto para registrar tudo em foto e vídeo, afinal uma experiência dessas merece estar registrada de todas as maneiras.

Quando finalmente damos o impulso para se projetar para fora do avião, em segundos aquela aflição se transforma num grande prazer, ver a cidade em baixo de nós dá uma sensação de poder e liberdade, aproximadamente um minuto de queda livre.

Quando o pára-quedas se abre, a sensação de segurança volta a nossa mente, pois existe o mito dele não se abrir, uma lenda que acompanha esse esporte, e o torna ainda mais emocionante. O instrutor fornece algumas instruções e passa o controle do pára-quedas para fazer algumas manobras. A descida é feita suavemente sem nenhum transtorno, no local onde o pessoal de apoio já esperava com a cadeira de rodas.

Desde criança tinha o sonho de saltar de pára-quedas, mas somente agora consegui realizá-lo, pois nunca tive iniciativa. O fato de quase ter perdido a vida no assalto que me deixou paraplégico, creio que mudou minha cabeça para realizar meus desejos agora, pois o amanhã ninguém sabe. E tenho feito isso com muito mais vontade e em maior volume, então isso reflete que a deficiência me tornou uma pessoa mais feliz do que era antigamente. Isso para mim também é prova de que a deficiência se torna uma barreira somente se você deixar.


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